Sobre os últimos sete anos…

Uma pausa nos assuntos internacionais aqui do blog para um momento que não posso deixar passar sem escrever alguma coisa.

Estava aqui, terminando os últimos relatórios, comunicando a família sobre a formatura, ajudando os colegas com os discursos e de repente me dei por conta estava calculando o ciclo que está terminando.

Lembro-me que quando fiz o vestibular, zerei em uma matéria da prova vocacionada (alguém ai lembra?), e foi apenas graças a uma pergunta cancelada que eu entrei na Universidade. Lembro-me de um comentário no Orkut que dizia “Esses que vão entrar agora com a pergunta cancelada vão ser tudo meio que café com leite”, outros diziam “estão entrando pela janela”.

222162_111218385628276_4118680_nCheguei na Udesc há quase sete anos atrás, 17 anos, sonhador que só, gostava de computadores, mas não tinha a menor noção do que estava me esperando. Porrada nos dois primeiros semestres, reprovei em todos os cálculos possíveis. “Você deveria ter aprendido isso no ensino médio” dizia a Professora.

Aos poucos me aproximei mais da Universidade, fui bolsista, que daohra a vida de bolsista, contato com os Professores o dia inteiro, me apaixonei pela vida universitária, aprendi as brincadeiras dos números, comecei até a tomar gosto pela coisa, até ser monitor de cálculo numérico, evolução para quem havia tomado tantas surras até então.

E o site do Centro quem fazia? Nós! Não havia servidor trabalhando no site, não havia CMS, mas tínhamos nós, os calouros querendo aprender. Até criamos nosso próprio CMS =P

Ajudei a tomar decisões, Conselhos Superiores, Comissão de Avaliação Institucional, até trabalhei na construção de um software de avaliação institucional, e enfim, da forma que eu sabia, já tinha uma galera usando um software que eu tinha feito. E funcionava!

E ingressar na pesquisa? Há! Eu nunca pensei que chegaria nem perto de um projeto de pesquisa e lá estava eu, para mim eram os dias de glória, faceiro!

fotoExtensão? A ideia parecia legal, sempre fiquei de olho naquela galera de amarelo (na época a referência maior era o MD), parecia um negócio tão legal. Um dia encontrei aquele cara de bigode que estava no meu primeiro dia de aula na Universidade e pedi porque ele não ia falar daquele trem de Rondon para nós, e ele foi! E eu fui selecionado depois, e conheci o cara que seria meu companheiro não só de Rondon mas de muitas outras coisas depois, hora também que descobri que dentro de mim tinha um cara que eu não conhecia, destemido, chorão, sensível e reflexivo.

A extensão me mostrou que eu não estava sóbrio e que a sobriedade não é tarefa fácil, me ensinou a esquecer os velhos contos de fada que dividiam o bem e o mal, que as pessoas são boas (mundo é bão bastião), que o amor existe mesmo! Foi lá que encontrei as pessoas mais fantásticas que existem no mundo!

Criei um site, na medida do possível para alimentar esses sonhos de Rondonista, onde até hoje temos muito amor e muito carinho sendo compartilhado, o Velho Trem,  Muitos sonhos acompanhados da dura vida de quem tenta produzir coisas boas para a Internet.

1016586_471960716220706_226261856_nEntão no clima da pesquisa, destemido pelo Rondon, resolvi que queria aprender línguas, e quando a Universidade me oportunizou um teste de línguas (mesmo não estando nem na metade do curso), lá fui eu! E não é que deu para passar! Lá partimos nós para o Velho Continente, 14 meses de estudos na terra do povo Magyar.

Foi na Hungria que conheci mais uma quantidade imensa de pessoas extraordinárias, e lá que eu pensei o quanto feliz eu estava, o quanto o carinha perdido no primeiro dia de aula tinha crescido e aprendido.

Há menos de um ano, voltei para terrinha, trabalhar, estudar e terminar a graduação, não parecia verdade, mas todas essas idas e vindas estavam batendo na porta do limite de conclusão do curso. Depois de um semestre de readaptação e outro bastante corrido, estou aqui, maravilhado com as pessoas que conheci, as amizades que construí, as coisas que enxerguei e vivi nesses anos.

O mesmo carinha que ia ser o “café com leite” hoje está aqui, feliz da vida, vendo as mensagens da formatura,  com duas cartas de aceite para mestrado internacional com bolsa de excelência.

Não tenho palavras para descrever o que foi minha jornada universitária nos últimos anos, apenas posso dizer que isso aqui é um tempo de transição e desapego e que minha vontade de conhecer, aprender e ensinar só aumentou. .

Por fim, Obrigado Udesc, vou levar essa universidade não só em meu diploma mas em meu coração e nas minhas atitudes.

Obrigado Professores por não terem desistido de mim nem quando eu não fazia por merecer credibilidade.

Obrigado família por MUITO que é impossível descrever.

Não esqueçamos de ser extraordinários